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A mostrar mensagens com a etiqueta Tiago Alves Miranda

Ideal Social

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A habitação social não é um tipo de arquitectura, pois que a arquitectura já é (ou deveria ser) social. A habitação social é, de fonte referenciada, uma solução destinada a uma população cujo nível de rendimentos impede o acesso à habitação através dos mecanismos normais do mercado imobiliário.

Fruto de um esforço partilhado, o Bairro da Bouça, no Porto, é uma peça exímia de arquitectura de habitação social desenvolvida no contexto do Processo SAAL, acrónimo de Serviço de Apoio Ambulatório Local.

O SAAL nasceu no 2º Governo Provisório, após a Revolução de Abril, a partir de um diploma impulsionado pelo arquitecto Nuno Portas, então Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo, que continha um conjunto de medidas destinadas a resolver a insalubridade e as carências da habitação que se afirmavam nos centros das cidades. À luz da verdade, o diploma criou apenas as condições ao desbloqueio de uma necessidade vital: ter uma casa. A casa coube aos arquitectos conceber, em debate com as pop…

Primeira Estampa

A Estampa, como publicação, marca não só o trabalho dos primeiros meses de 2017, como, por outro lado, abre uma pausa na produção exaustiva de padrões de temática geométrica. Será uma pausa para amadurecer ideias. No Verão, a Estampa regressará, embora reduzida, mas destinada a carregar a imagem do Azulejo Luso.

binómio varanda-marquise

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«Sim» à varanda e «não» à marquise, ou o contrário?

A varanda, pelo dicionário, é uma plataforma saliente da fachada de um edifício, rodeada de uma grade ou balaustrada, uma galeria ou ainda uma sala — um espaço. O significado de marquise, por seu turno, conta com outras opções: estrutura envidraçada com que se protegem geralmente varandas ou uma espécie de alpendre que serve de abrigo em alguns edifícios.

Conceptualmente, a varanda e a marquise correspondem a situações que remetem para a ideia de que há lugar a uma criação de espaço com características próprias. Ambos são plausíveis: os vocábulos; as definições; as formas de conceber arquitectura. Visualizo as suas possibilidades, os seus contributos, o impacto que têm na vida dos utilizadores e as suas valências, senão do valor patrimonial que lhes está associado. Considero que cada uma das situações equivale a uma afirmação: a varanda pela conquista, pelo prolongamento do espaço interior; a marquise …

Corvos

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A celebração da arte faz-se com a variedade geométrica e policromia do azulejo português. Em Lisboa, contam-se tantos exemplos quanto o número de paredes, mais do que as estampas recriadas — neste capítulo do projecto Azulejo Luso — que servem de suporte às ideias de novos padrões.








São Jorge de Arroios

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Da etimologia, património (lat. patrimonium) e a sua correspondente em inglês, heritage (lat. hereditare), chegam com significados que enunciam, respectivamente, «herança paterna» e «propriedade hereditária». Duas definições que, embora pareçam idênticas ou redundantes, juntas criam uma continuidade temporal: um legado, algo que é transmitido sucessivamente.
Constituindo-se como um sistema complexo, o património pressupõe o conhecimento, a protecção e a valorização de bens materiais ou imateriais classificados com base numa dialéctica de valores que apelam a um sentido objectivo e a uma memória colectiva. A lei (n.º 107/2001, de 8 de Setembro) é mais concisa quando refere que o património integra "todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura e portadores de interesse cultural relevante, devam ser objecto de especial protecção e valorização". Assim, por património pode dizer-se de algo com valor arquitectónico, como um edifício; este, por exempl…

Regresso

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O Azulejo Luso está vivo e de boa saúde. Todos os projectos passam por fases em que o mais insignificante detalhe se questiona: o tipo de letra; a cor; a marca que se pretende incutir; a forma de comunicar com o outro lado. Esse lado. E o objectivo dessa comunicação permitiu desenvolver uma comunicação mais honesta do ponto de vista gráfico e sensorial, ou seja, através do desenho, da expressão dos elementos geométricos que compõem cada nova tela criada.

Contextualizando, o Azulejo Luso é o projecto que compila e dá continuidade aos padrões geométricos que vêm sendo desenhados com base nos padrões dos antigos azulejos portugueses. Contudo, esses padrões conservam a sua autenticidade, uma vez que o objectivo é a criação de novas linhas com um fim bem definido: ilustrativo.

Para já, o projecto conta com três veículos de comunicação digital: Facebook, Google+ e Instagram. Nestas redes sociais, as informações que cada uma contém tendem a ser idênticas, pois que o modo e o público são natu…

Índigo

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O número 61 da Avenida Marginal é um edifício gaioleiro situado no Dafundo, a olhar o horizonte e o Atlântico. Na fachada, o manto de azulejos que o cobre é dum tom de índigo, quase sugestivo da junção do céu e do mar.





Apeadeiro

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A ideia de uma estação junto à Torre de Belém, na linha ferroviária Lisboa – Cascais, decorre do conjunto de propostas para a frente ribeirinha entre a Torre de Belém e a foz do rio Jamor, resultado do programa de um exercício de fim de curso. Esta intenção funciona em articulação com outras que têm lugar nessa extensa área de território urbano que, duma tal sorte de realidades, problemáticas e desígnios, a ênfase ao lugar histórico, ao espaço público e ao transporte colectivo constitui o foco desta transformação.



Neste corte à mão levantada, representa-se a galeria subterrânea com os diferentes níveis, os acessos e a escala humana. Da vontade de criar uma grande via à superfície entre a Ermida do Restelo e a Torre de Belém, as instalações necessárias ao funcionamento da estação são atiradas para um nível intermédio situado entre as cotas da rua e da plataforma de embarque, criando aí um corredor-varanda, como Álvaro Siza faria em S. Bento e Baixa-Chiado, ritmado pela luz zenital prove…

Torre do Tombo

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"O actual edifício da Torre do Tombo foi projectado pelo arquitecto Arsénio Cordeiro, em colaboração com o arquitecto António Barreiros Ferreira. Foi inaugurado em 1990, destinando-se a receber o Arquivo Nacional, cujo vasto espólio se encontrava desde 1757 no edifício do Mosteiro de São Bento da Saúde, actual Palácio de São Bento. O novo arquivo herdou o nome da torre albarrã do Castelo de São Jorge onde eram mantidos os documentos do reino desde pelo menos 1378, e até 1755, quando o terramoto que atingiu Lisboa colocou em perigo os registos."
Referências:Direção-Geral do Património Cultural — Edifício do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Disponível em: <http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/15326946> [acesso em 2-11-2015]

Portas de Benfica

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As Portas de Benfica dizem respeito aos edifícios erigidos em 1852, em arquitectura revivalista, na fronteira entre Lisboa e Amadora. Desde a sua construção e até à data da abolição do limite fiscal, o conjunto funcionou como alfândega, controlando os acessos à cidade de Lisboa. Muito embora os edifícios se encontrem apartados pela via de comunicação que os separa — a Estrada de Benfica —, ambos devem ser entendidos como uma entidade arquitectónica única, com volumes semelhantes, dispostos a Sul e a Norte, que, em jeito de legado, define hoje um ponto de confluência na malha urbana comum às duas cidades, materializando-se no núcleo de uma praça.
Em termos estéticos e formais, os volumes são autoportantes, constituídos por paredes em alvenaria mista de pedra e tijolo, onde se destacam alguns elementos eruditos, especialmente nos remates, com o recurso às bandas lombardas, num revivalismo neo-românico, e à platibanda, percorrida por frisos, sobrepujadas por ameias decorativas.



Sistema de…

20 de março

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Não me é alheia a observação natural do espaço que me rodeia, do seu desenho, da forma como é construído e organizado; da articulação que estabelece entre as áreas da vida humana. A observação, uma das principais ferramentas do arquitecto, é o primeiro registo, a fase inicial e fundamental para o despoletar da arte de projectar.



Portugal de Siza

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Pavilhão de Portugal, Lisboa, Álvaro Siza Vieira (1998).

Arte Calçada

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A origem do pavimento em pedra calcária, vulgarmente conhecido por calçada portuguesa, remonta aos meados do século XIX com a pavimentação do Rossio, em 1848. Essa intervenção representou o culminar do plano de reconstrução da Baixa de Lisboa, quase um século após o seu início. Os motivos marítimos representados na calçada — que se caracterizam pelas caravelas a oriente e ocidente e por linhas onduladas que se repetem e preenchem toda a Praça D. Pedro IV — formam o Mar do Rossio.
O pavimento de calçada portuguesa foi sendo transportado pelo tempo para outras zonas da cidade de Lisboa, de Portugal continental e insular, e também para o Brasil. Nela são reconhecidas diversas formas de assentamento, dimensão (da pedra) e cor.